XLX267 — de um reflector D-STAR a um pequeno laboratório digital

O XLX267 nasceu como um reflector relativamente simples, com alguns módulos destinados a conversação internacional, regional e nacional e uma interligação a outros sistemas. Com o passar do tempo, porém, o D-STAR deixou de ser apenas uma rede de repetidores e reflectores. Hoje temos hotspots, Terminal Mode, Access Point Mode, interligações entre redes, gateways e cada vez mais possibilidades de experimentação.

Foi por isso que decidi actualizar o XLX267 e abrir todos os 26 módulos possíveis, de A a Z.

A alteração foi relativamente pequena no código do XLXD, mas muda bastante aquilo que podemos fazer com o reflector. O servidor passou a trabalhar com:

#define NB_OF_MODULES 26

Depois da recompilação e instalação do XLXD 2.5.3, fiz o teste mais simples e também o mais conclusivo: liguei o meu Icom IC-705 em Terminal Mode directamente ao XLX267, módulo Z.

O servidor respondeu:

Config request ... for XLX267 Z
Opening stream on module Z for client CT1EBQ H

e o próprio XML do reflector passou a mostrar:

<Callsign>CT1EBQ  H</Callsign>
<LinkedModule>Z</LinkedModule>
<Protocol>Terminal/AP</Protocol>

Ou seja: não era apenas uma alteração teórica na configuração. O módulo Z estava efectivamente operacional e a transportar tráfego D-STAR.

Mas para que queremos 26 módulos?

A resposta curta é: não queremos necessariamente usar os 26.

Criar vinte e seis salas vazias só porque estão disponíveis não teria grande interesse. A ideia é antes atribuir aos módulos uma lógica que torne o XLX267 fácil de compreender e, sobretudo, útil para experimentação.

A primeira proposta ficou assim:

$PageOptions['ModuleNames']['A'] = 'International';
$PageOptions['ModuleNames']['B'] = 'Regional';
$PageOptions['ModuleNames']['C'] = 'Portugal';
$PageOptions['ModuleNames']['D'] = 'Digital Lab';
$PageOptions['ModuleNames']['E'] = 'REF095C via XLX268';

$PageOptions['ModuleNames']['F'] = 'D-Star International';
$PageOptions['ModuleNames']['G'] = 'Gateways / Hotspots';
$PageOptions['ModuleNames']['H'] = 'Emergency';
$PageOptions['ModuleNames']['I'] = 'Digital / APRS';
$PageOptions['ModuleNames']['J'] = 'Nets';

$PageOptions['ModuleNames']['T'] = 'Terminal / AP';
$PageOptions['ModuleNames']['X'] = 'Experimental';
$PageOptions['ModuleNames']['Z'] = 'Test';

Os restantes ficam deliberadamente livres.

Não há vantagem em decidir hoje o que fazer com K, L, M ou Y. Se surgir uma necessidade interessante amanhã, haverá espaço para ela.

Alguns módulos com personalidade própria

Há quatro que me parecem particularmente interessantes.

D — Digital Lab

Um espaço para experiências com D-STAR, hotspots, gateways, bridges e novos equipamentos sem perturbar os módulos destinados a conversação normal.

T — Terminal / AP

Este nasceu quase naturalmente das experiências que tenho feito com os rádios Icom.

O Terminal Mode permite que equipamentos como o IC-705 ou outros Icom compatíveis comuniquem com a rede D-STAR através da Internet sem ser necessário chegar por RF a um repetidor. O Access Point Mode permite ainda utilizar o rádio como ponto de acesso para outro equipamento D-STAR.

Ter um módulo explicitamente dedicado a este tipo de experiências pareceu-me bastante lógico.

X — Experimental

O verdadeiro laboratório.

Interligações temporárias, testes de protocolos, gateways, software novo ou qualquer experiência que ainda não saibamos muito bem onde encaixar.

Z — Test

Uma espécie de carga fictícia virtual.

Queremos verificar se um hotspot está correctamente configurado? Se o Terminal Mode chega ao reflector? Se um gateway consegue estabelecer ligação?

Liga-se ao Z e experimenta-se.

Curiosamente, foi também o primeiro módulo novo que utilizei depois da alteração para A–Z.

Os módulos que já existiam

Algumas funções anteriores permanecem.

O módulo A continua vocacionado para contactos internacionais, B para utilização regional e C para Portugal.

O módulo E mantém uma interligação com o XLX268, através da qual existe acesso ao REF095C.

Uma das vantagens da arquitectura XLX é precisamente esta possibilidade de fazer de determinado módulo uma porta para outro reflector ou rede sem transformar todo o sistema numa única sala gigantesca.

E o dashboard?

Outra curiosidade surgiu durante a alteração.

O dashboard não tem uma lista fixa A–Z. Ele pergunta ao reflector quais os módulos onde existem nós ligados:

$Modules = $Reflector->GetModules();

Por isso um módulo vazio nem sequer aparece necessariamente na página.

Quando liguei o IC-705 ao módulo Z, o dashboard passou imediatamente a mostrar Z.

É uma solução simples e elegante: os módulos existem no reflector, mas a interface só mostra aquilo que nesse momento está a ser utilizado.

Uma pequena infraestrutura para experimentar

É talvez esta a parte que mais me interessa no projecto.

Não pretendo transformar o XLX267 num enorme reflector mundial cheio de utilizadores. Existem outros muito maiores para isso.

Interessa-me mais que seja um pequeno espaço técnico onde possamos experimentar.

D-STAR por RF.

D-STAR por Internet.

Terminal Mode.

Access Point Mode.

Hotspots.

Gateways.

Interlinks.

E aquilo que ainda aparecer nos próximos anos.

Tal como acontece tantas vezes no radioamadorismo, o interesse não está apenas em conseguir estabelecer a comunicação.

Está também em perceber como ela funciona.

O XLX267 está disponível em:

http://xlx.ct1ebq.com

73,

Ricardo Oitavén — CT1EBQ

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